O professor começou por explicar qual é a célula base do nosso sistema nervoso – o neurónio – que têm uma extraordinária capacidade de poder comunicar entre eles.
Em seguida, o Dr. Castro Caldas mostrou como hoje é possível saber que área do nosso cérebro processa a informação através de métodos não invasivos (ressonâncias magnéticas, etc…). Usando o exemplo da visão e do tacto, mostrou-nos imagem de diferentes áreas do cérebro que se “iluminaram”, afirmando também que o cérebro é “inteligente” pois o cérebro activa a zona que lhe dá mais jeito
(deu o exemplo que um cego de nascença ao “ler” através do Braille activa a zona da visão e não a do tacto, no entanto, alguém que fica cego e que depois lê Braille activa a zona do tacto)
Depois, decidiu apresentar-nos a “história” do pensamento humano sobre o cérebro. Começou por contar que os gregos pensavam que o cérebro tinha cavidades (ventrículos) com líquido, e que esse líquido transmitia a informação. Na renascença, como a arte, a música, a literatura voltaram para o classicismo assim o fez a ciência que voltou aos paradigmas gregos sobre o cérebro Mais tarde, Joseph Gall (1758-1828) um neurologista Alemão, mudou o paradigma grego afirmando que era o tecido cerebral que era importante. Afirmou também que no cérebro desenvolviam-se órgãos que representavam a agressividade, a teimosia, a cortesia, etc… já no inicio do séc. XX pensava-se que na parte direita do cérebro estavam os nossos sentidos e do lado esquerdo estava a fala/linguagem. Nesta mesma época, Egas Moniz (que era português) descobriu a arterografia mas como um outro médico (que já tinha falecido) tinha encontrado outra maneira de fazer uma arterografia, não lhe atribuíram o prémio Nobel da Medicina por este feito. Foi graças ao seu trabalho nas leucotomias (cortes de partes cerebrais) que em 1949 este português foi premiado com o Prémio Nobel da Medicina.
Finalmente na actualidade, o Dr. Castro Caldas explicou que existe uma tecnologia – Tomografia de emissão de positrões – que faz com que consigamos seguir as vias e ligações formadas pelo nosso cérebro e por onde passa a informação dando o exemplo que hoje sabe-se que quando se fala não é uma mas sim várias áreas do cérebro que se “acendem”. De seguida, o Dr. Castro Caldas falou em alguns genes responsáveis pela nossa fala ou desenvolvimento cerebral. Disse que se tivermos falta dum gene FoXP2, muda as nossas ligações nervosas. Disse até que se conseguia humanizar um pouco um rato ao introduzir um gene deste tipo no seu ADN, que causou uma mudança de ligações que por sua vez causou uma mudança de comportamento que por fim causou uma mudança do som produzido pelo rato (deixou de fazer o mesmo que os outros ratos, emitindo um som diferente).
E assim terminou esta conferência, com algumas questões da plateia que foram prontamente atendidas pelo Doutor Castro Caldas.