A bioética: desafios actuais e futuros

No início da conferência, o Professor Doutor Alexandre Quintanilha começou por falar da Ética aplicada à Biologia, referindo que existe uma enorme preocupação no facto de se ‘mexer’ nos seres vivos.

            Este foi um dos tópicos chave da conferência.

            De seguida, referiu que sem curiosidade e imaginação não pode haver conhecimento, sendo o ponto de partida para a investigação e para a evolução.       A curiosidade influencia as perguntas que fazemos e a imaginação as respostas que damos.

            Outra das afirmações proferidas pelo Prof. Doutor foi que ‘As respostas são frequentemente dadas na forma de ‘estórias’. A intuição faz muitas vezes com que contemos ‘estórias’ erradas e prova disso foi a história contada pelo conferencista.

            Assim, as 3 histórias da linha da evolução do pensamento humano são:

1º.   A Terra no centro do Universo;

2º.   As teorias de Darwin sobre a evolução das espécies;

3º.   A noção de consciência.

Todas estas linhas do pensamento humano foram alteradas por pessoas que não estavam satisfeitas com as respostas existentes, o que conduziu a um avanço científico e tecnológico.

Na segunda parte da conversa, o Professor Doutor apresentou a Ética.

Num primeiro ponto, interligou esta parte da Filosofia à Engenharia Genética, pelas modificações possíveis nas plantas, nos animais e nos seres humanos. Referiu as vantagens e desvantagens de se poder alterar geneticamente os organismos.

Toda esta evolução conduz ao melhoramento humano, gerador de alguma controvérsia.

Assim, o segundo ponto abordado sob o ponto de vista ético foi a Biologia Sintética que, tal como a Engenharia Genética, nos leva a formular uma série de questões sobre o conceito de vida.

Por fim, o Professor Doutor referiu as três áreas que compõem a Ética:

1º.   A primeira área é formada por todos os que defendem a verdade absoluta;

2º.   A segunda área é formada pelos que têm dúvidas;

3º.   A terceira área é constituída pelos que se preocupam com o que se faz com o conhecimento.

A conferência terminou com perguntas ao nosso convidado, às quais respondeu com enorme satisfação. A primeira pergunta relacionou-se com as implicações éticas da modificação genética na descendência humana; a injustiça de haver pessoas cujas características escolhidas pelos progenitores se poderem afirmar como superiores e só alguns, aqueles que têm capacidade monetária, têm essa possibilidade. A segunda pergunta confrontou algumas palavras ditas sobre os anti-depressivos, o conferencista mostrou que não era contra o uso dos mesmos, ao contrário do que tinha dado a pensar. O Professor Doutor Alexandre Quintanilha foi questionado se Portugal teria mercado para absorver os futuros investigadores das diferentes áreas da ciência e se valeria a pena investir nessa área; foi-nos respondido que deveríamos pelo menos durante 5 anos abandonar o país, se nos fosse possível, durante o curso ou quando o terminássemos e que passados 10 anos de acabarmos um curso era provável já não estarmos a exercer a mesma área. A resposta a esta última questão foi enriquecida com as experiências pessoais do Professor Doutor Quintanilha.

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